- 1%: devem se tornar mais influentes e mais ricos em 2017
- Escravidão: precarização das relações de trabalho, incluindo diminuição de salários, precarização das relações de trabalho, terceirização, aumento dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais
- Desemprego: mesmo com a redução do custo do trabalho, o desemprego deve aumentar, a novidade é que deverá atingir setores envolvidos em atividades mais complexas, que deverão ser assumidas cada vez mais por sistemas computacionais.
- Inteligência Artificial: 2016 tivemos o surgimento de muitas tecnologias experimentais, o seu uso deve se disseminar e se aproximar do uso cotidiano
- Terrorismo: Trump inevitavelmente irá empreender uma nova Guerra ao Terror que deverá implicar em respostas
- Militarização: Com o enfraquecimento do papel dos EUA como polícia do mundo, Europa, China, Japão entre outros vão investir na produção de armamentos e na modernização de seus exercitos
- Desmonte: o sistema de proteção social no Brasil vai ser desmontado, em 2016 se criaram as condições políticas para uma redução orçamentária, em 2017 iremos sentir o impacto dessas mudanças na ponta do sistema
- Anti-intelectualismo: a extinção do MCTI, o corte dos recursos orçamentários para 2017, a reforma do ensino médio, com a desobrigação de que as escolas ministram aulas sobre ciência, a precarização da carreira de professor, o desmonte das agencias reguladoras e ambientais vão tornar a Ciência ainda menos impactante na sociedade brasileira. Na mesma linha vamos ter a consolidação do poder das igrejas e do fundamentalismo religioso e de sua crescente influência na educação.
- Preconceito: a vitoria de Trump e o avanço do fundamentalismo deverão estimular o recrudescimento da homofobia, racismo e da misoginia.
- Epidemias: o desmonte do sistema básico de atendimento a saúde e das agencias de monitoramento ambiental aliadas com o aquecimento global deverão facilitar o surgimento de epidemias causadas por mosquitos e também como consequência do aumento da poluição.
- Privatização: o tamanho do Estado vai diminuir através de privatizações, várias estão acontecendo e muitas outras deverão avançar devido a crise nos estados e municípios.
- Estado de Excessão: o avanço do processo da Lava Jato ao STF vai enfraquecer ainda mais o Estado de Direito no Brasil isso sem contar com a eventual revolta das camadas mais pobres contra o desmonte. A PEC 55 feriu de morte a Constituição de 1988 tornando letra morta o espírito da Carta. Some-se a isso a dificuldade de garantir a normalidade democrática em um quadro onde a cúpula do poder deveria ser processada e punida.
- Previdência: Mesmo admitindo que muitos aspectos da reforma proposta sejam fragilizados, a aprovação da PEC55 e a depressão impõe uma reforma da previdência que dilate os prazos de aposentadoria. Mas a questão é que com a dilatação do prazo a previdência publica será inútil para a vasta maioria dos trabalhadores, os pobres por que estarão mortos ou desempregados aos 65, as classes medias com formação mais longa não vão ter interesse em contribuir para benefícios que não vão usufruir. Isso aliado ao desemprego vai reduzir sensivelmente as receitas da previdência.
- Fundamentalismo: a teologia da prosperidade é elemento ideológico chave nas periferias, onde residem parte substancial dos votos. O sistema é ainda alimentado por um poderoso esquema de lavagem de recursos de atividades ilícitas, ainda muito mal compreendido. Essa teologia tem como sabemos uma visão conservadora nos costumes e liberal na economia. A esquerda rechaçada pelas classes médias, se quiser voltar ao poder terá de estabelecer alianças ainda mais fortes com esse setores. Isso pode ser facilitado pela dinâmica própria do avanço do projeto da direita que em tese deverá privilegiar o 1%. A forma como os interesses dos mais pobres e dos mais ricos será acomodado no Rio e em São Paulo, será um indicativo do que está por vir.
- Sociedade Civil: com uma classe empresarial com baixa capacidade de inovar, mal controlada pelo estado, prestando serviços que são caros, ineficientes e que não raro arriscam vidas humanas e ecosistemas inteiros (Samarco é um exemplo claro, mas existem outros tantos) e um estado que abre mão de prestar os serviços que estão sob sua alçada e que se recusa a fiscalizar minimamente o setor privado. Sobram poucas alternativas fora da Sociedade Civil para a construção de sistemas que consigam minimamente manter escolas, hospitais, pesquisa com ao menos um nível basal de funcionamento. As igrejas evangélicos são um exemplo de sistema como esse, ainda que atendam fundamentalmente os interesses de enriquecimento de sua cupula, obviamente são capazes de promover benefícios para a sua comunidade.
- Base Aliada: A base aliada de Temer é composta de três grandes setores: Centrão, PMDB e PSDB e satélites. Ainda que existam diferenças nas composições, existem muito mais consonâncias do que dissonâncias. A questão fundamental tem sido dividir o bolo, até o momento onde não houve nenhuma atitude na direção de controlar o deficit publico no momento em que vivemos, o que estamos presenciando é essencialmente um deslocamento dos investimentos em areas sobre a influência do Estado para áreas de influência política direta. Substituição de cargos publicos por CC, pagamento de emendas, publicidade publica. A única e notável excessão são as carreiras ligadas a justiça e ao fisco, que foram sobejamente apoiadas financeiramente por aumentos criminosos em um momento de crise. Em 2017 com a esquerda ainda atordoada a disputa política vai se dar essencialmente na base de Temer, o que já estamos assistindo e vai ganhar tons mais fortes na disputa pela Camara. As esquerdas vão passar a desempenhar um papel meramente moderador.
- Pudim: A turma do Pudim vai seguir forte, Eunicio deve ser o presidente do Senado, Renan vai presidir a comissão de Constituição e Justiça, Temer e Padilha devem seguir firmes e fortes no Executivo e Jucá segue na liderança do Governo no Senado. Geddel está fora ao menos por enquanto, mas pode voltar. Com eles em postos chaves a corrupção vai atingir níveis inauditos. O presente as Teles de 109 Bilhões é só uma amostra da voracidade.
sábado, 31 de dezembro de 2016
Tendencias para 2017
Se 2016 foi um ano de confronto, 2017 deverá ser um ano de consolidação dos setores que venceram em 2016. Como os vitoriosos são essencialmente setores conservadores e temos uma ampla base histórica para nos servir de modelo, fazer projeções para 2017, talvez não seja um exercício fútil de futurologia.
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