domingo, 18 de setembro de 2016


O mito dos Hubs






A famosa imagem de Dalton Dallagnol lhe permitiu atingir os píncaros da gloria nas redes sociais nacionais. Seja por sua capacidade de síntese, seja por sua pobreza estilística. Obviamente a apresentação possui ainda outros aspectos interessantes: por exemplo o vértice comum. Uma espécie de auto-referencia ao próprio esquema.  

A idéia de descrever uma situação complexa através de explicações simples é muito mais uma constância na história do que uma novidade. Presente na tradicional expressão "bode expiatório" e que pode ser aplicado a um sem número de situações históricas, onde personagens ou classes sociais, ou grupos religiosos foram usados como explicação definitiva para a causa de uma situação política. Obviamente Lula e o PT tem muita participação nessa imagem de alocar a figura humana Lula muito mais poder do que de fato lhe coube, mas não deixa de ser chocante que um procurador da republica, em tese membro da elite intelectual brasileira, possa acreditar que um esquema tão simplista como essa possa dar conta da realidade complexa que cabe a Lava Jato desvendar. 

Mais impressionate ainda se levarmos em conta que existe vasto material vazado que indica que esse sistema, é uma evolução de sistemas que estão em funcionamento desde muito. Mas principalmente que envolvem certamente figuras diversas de muitos partidos de todas as ideologias e espalhados pelo Brasil inteiro. Sendo o PT parte importante mas dificilmente a maior e nem mesmo a mais influente nesse esquema. 

Delcídio Amaral por exemplo deixa claro que o Mensalão foi instrumental para que Lula distribuísse cargos da Petrobrás entre membros dos partidos da base, sem isso teria sido cassaado. Some-se a isso estranhas coincidências envolvendo o ministro do supremo Barbosa e temos um interessante veio de investigação, que muito nos ajudaria a entender qual a relação entre a corte suprema e manutenção dos esquemas de corrupção brasileiros. Mas, além disso  vários empresários revelam que contribuíram  para esquemas de corrupção envolvendo PSDB, PMDB entre outros. 

Ou seja existem poucas dúvidas que esse esquema é multicentrico, esparso, generalizado e que inclui além do empresariado, judiciário e a mídia. Ou seja que esse grafo possui muitos outros hubs além de Lula. Na Teoria das Redes Complexas papel preponderante é atribuído aos hubs, vértices que possuem muitas ligações. Eu denomino isso do mito dos hubs, apesar de que em muitos casos verifica-se seu papel preponderante, as vezes seu papel é super-estimado. 

No grafo de Dallagnol, a conclusão é óbvia ao deletarmos Lula do sistema voltaríamos a era dourada, onde vivíamos sem corrupção. A essa conclusão superlativa soma-se uma acusação apoiada em evidências frágeis, onde Lula aparentemente se beneficiou de migalhas, incompatíveis com o papel de "capo di tutti capi". Mas nada disso importa muito, pois a operação Lava  Jato é uma operação juridico-midiática. E nesse caso em específico, o show de Dallagnol, tinha poucos objetivos jurídicos seu objetivo principal é fornecer uma narrativa política para a prisão de Lula e mais importante que isso para seguir com o plano delineado por Jucá: delimitar a Lava Jato. Some-se a isso a idéia de que o PT incorpora no Brasil o apavorante espectro do comunismo. Atualmente um espectro de fato, pois não existem quaisquer evidências de que o PT, os russos, a Venezuela queiram realizar uma revolução comunista no Brasil. Mas obviamente esse discurso atinge setores da sociedade que temem e com muita razão, que os setores da sociedade que são subjugados, avancem e ocupem papeis menos periféricos na sociedade brasileira. 

O real problema de toda essa história são as suas consequências, ou seja como colocar o gênio de volta a garrafa. Como convencer os setores que avançaram na era Lula que devem se sujeitar a trabalhar mais, por mais tempo, com salários menores, seguir pagando impostos e ver solapadas as políticas públicas em saúde e educação?. Como colocar a economia brasileira a crescer sem avançar no processo de inclusão? Como seguir alocando parte substancial do PIB aos rentistas se isso implica no desmonte do sistema que lhe garante os recursos?

Nada disso angustia a equipe de Moro, enquanto segue com sua cruzada contra a corrupção, ele visita a Metrópole para bovinamente receber os parabéns pelos grandes serviços que presta aos interesses americanos. 









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